Velha Guarda do Império Recebe Tantinho e os Partideiros do Cacique
Velha Guarda do Império Recebe Tantinho e os Partideiros do Cacique.
Sexta-feira.
Dia 06.07.2007.
Local: Sede do Império Serrano.
Entrada: Homem cinco reais; damas grátis.
Aqui quem fala (escreve) é o Fábio Feliciano Barbosa, o Fabinho Professor,
um simples e jovem sambista que admira o que é bom para o Samba: pessoas e
atividades que enaltecem este ritmo carioca que é uma das marcas do Brasil
em vários cantos do mundo. Vamos ao que interessa.
Bom meus amigos e amigas mais uma vez estou aqui para fazer um convite
(irrecusável e imperdível) aos leitores deste site que muito faz pelo samba
da nossa cidade.
Na próxima sexta-feira, dia 6.7.2007, a partir das 20 horas acontecerá mais
uma Roda de Samba da Velha Guarda (Show) do Império Serrano, escola que faz
um bom tempo torce e retorce o meu coração. Para quem não sabe (e precisa
saber), os integrantes da Velha Guarda (Show) do Império, na primeira
sexta-feira de cada mês, fazem uma tremenda roda de samba na qual recebem um
convidado de peso do mundo do Samba. Este evento acontece na sede do Império
Serrano que, com muito gosto e respeito, adora receber os membros da sua
corte e os que torcem por outras agremiações carnavalescas.
Nesta sexta (06.07.07) haverá uma dose dupla. A Velha Guarda (Show) do
Império Serrano, liderada pelo meu grande amigo Zé Luiz, receberá Tantinho
da Mangueira e os Partideiros do Cacique. Não sou de tentar prevê o futuro –
coisa difícil e perigosa demais para um simples mortal. Prefiro tentar
adivinhar o passado, o passado que ninguém quer ver nem saber.
Já vi shows do Tantinho da Mangueira e dos Partideiros do Cacique. Na minha
modesta opinião, os dois dispensam maiores apresentações e comentários. Só o
fato de serem os próximos convidados da Velha Guarda (Show) do Império
demonstra que eles são sambistas de primeira linha, do mais alto quilate.
Digo isso porque sei que entre os membros da Velha Guarda (Show) do Império
impera uma lei inquestionável: o fundamental é ter talento, muito talento; e
usá-lo em prol do samba. Essa lei máxima e fundamental faz do meu Império um
Império justo onde o talento e a devoção ao samba igualam os desiguais sem
descaracterizá-los. No Império mulheres e homens cantam e compõem. No
Império mulheres e homens são fundamentais para o sucesso e manutenção da
escola. No Império todas as cores, opções e orientações combinam com o seu
verde e branco.
Tenho uma certeza: este encontro será mais um acontecimento histórico de
Madureira. E quando a história entra em cena nas nossas vidas, o melhor é
não ficar na turma do “ouvi dizer, ouvi falar que aconteceu….disseram
que”. O melhor, neste caso, é estar onde ela estiver para vê-la, senti-la e
vivê-la coma máxima intensidade possível. Eu tenho certeza que ela estará na
Roda de Samba da Velha Guarda (Show) do Império Serrano. Aprendi que onde a
história estiver a nossa presença corporal – e também espiritual – torna-se
necessária, obrigatória. Então, vamos lá minha gente. Vamos Imperiar.
Imperiar em Madureira é o máximo. E Imperiar junto com a Velha Guarda (Show)
do Império, o Tantinho e os Partideiros do Cacique é (será) bom, bom demais.
A Roda de Samba da Velha guarda tem alguns atrativos que não podem ser
ignorados:
Em primeiro lugar, a própria Velha Guarda cujos integrantes merecem nota 10
em talento, alegria e simpatia.
Em segundo lugar, o seu rico e poético repertório musical no qual
encontramos composições da D. Ivone Lara, da Vovó Teresa, do mestre Silas de
Oliveira, do Mestre Fuleiro, do Mano Décio da Viola, Nilton Campolino e do
sublime Osório de Lima. E não para por ai não. Tem a Tia Nina, a Lindomar e
a Balbina esbanjam charme e elegância quando cantam. Por onde passam
perfumam e iluminam o ambiente.
O Ivan Milanês, sempre irreverente e contente, mostra como ninguém os seus
dons artísticos e musicais. E têm mais, muito mais: Capoeira da Cuíca,
Sílvio, A. Machado, W. das Neves, Fuleiro, Cicizinho e Fabrício completam e
“agigantam” a Velha Guarda (Show) do Império que, desdo seu início, já era
considerada uma das melhores e mais importantes do Rio de Janeiro e do
Brasil. Quem quiser ver e saber qual é o resultada da combinação de todos os
talentos ligados aos nomes que mencionei é só ir lá na Roda deles nesta
próxima sexta.
Merece destaque o valor das entradas – homem paga cinco reais e mulher não
paga nada, para entrar. A cerveja é sempre gelada e sai a um preço bom para
um evento que conjuga grandes nomes do samba, gênero que tanto enriquece a
cultura e a música popular brasileira – o valor delas é de quatro reais. Tem
bata-frita, churrasquinho temperadinho, lingüiça calabresa frita e outros
quitutes maravilhosos. Tudo isso a um preço bem popular e democrático.
Por último, relembro que a Roda da Velha Guarda (Show) do Império acontece
num dia especial do mês e da semana: numa sexta-feira, sempre a primeira do
mês. Ela acontece e tinha que acontecer em Madureira, um bairro cuja
importância histórica para o samba e os sambistas é incomensurável.
Madureira, um dos melhores e maiores museus do samba e da cultura popular
brasileira que funciona 24 horas por dia a céu aberto – e noite adentro.
Não há exagero algum em dizer que a Roda de Samba da Velha Guarda (Show) do
Império já é uma tradição no mundo do samba da cidade do Rio de Janeiro. Ela
surge num momento delicado em que o Império Serrano e os imperianos estão
precisando de forças e ânimos que só os mais velhos e experientes podem
fornecer.
Este trabalho da Velha Guarda (Show) do Império é a prova viva de que os
imperianos de fé não cansam porque confiam e têm fé na lança do seu santo
padroeiro, o grande São Jorge.
Quem gosta de samba tem que respeitar (o meu) Império Serrano, o Império
justo, o Império que precisa voltar para o seu verdadeiro lugar, lugar de
onde foi expulso covardemente. Gostar do Império Serrano é saber admirar
aqueles homens e mulheres que representam à sobrevivência e “transferência
respeitosa” das tradições que singularizam o Império Serrano no vasto e
competitivo (muitas vezes profundamente injusto) universo das mais
tradicionais e respeitadas escolas de samba.
Cada vez que piso na Quadra do Império ou vejo a Velha Guarda (Show e não
Show) cantar e tocar, o meu coração fica mais verde e branco, mais e mais,
cada vez mais. Não vou perder a oportunidade de imperiá-lo mais um pouco
nesta sexta-feira. Não vou perder a grande oportunidade de sentir as forças
e energias que emanam da combinação do verde com o branco. Essa é uma lição
fundamental que a Velha Guarda me passou.
Até sexta meus amigos.
